Amanhecer por Marielle e Anderson acorda três continentes

Em dia de luta e memória, demonstrações públicas ao redor do mundo homenageiam e cobram justiça por vereadora.

O sábado no qual completou-se um mês da execução política da vereadora Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes, amanheceu em luta. Centenas de atos aconteceram em pelo menos três continentes: nas Américas, Europa e África. No Rio de Janeiro, cidade onde atuava a vereadora, 45 atos foram planejados nas zonas Sul, Norte, Oeste e Centro. O grito de desordem feminista “pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem mexeu com Marielle atiçou o formigueiro” se traduziu na enorme mobilização conseguida através de auto-organização nas ruas. No Brasil as atividades alcançaram, pelo menos, 16 estados.

Os gritos pedindo justiça soaram fortes em todos os atos. Apesar da sua morte ter sido usado para justificar o aumento de verbas para a intervenção militar no Rio de Janeiro pelos setores conservadores da direita brasileira, expressamente, através dos jornais da rede Globo, como o programa Fantástico e o Jornal Nacional, as ruas sabem que a vereadora, negra e periférica, defendia exatamente o contrário: o fim do uso de força policial para extermínio da juventude negra. Nas ruas os apelos se faziam em alto e bom som: “Marielle perguntou, eu também vou perguntar: Quantos precisam morrer pra esta guerra acabar?” E terminaram assim: “Por Marielle..eu digo não.. Eu digo não a intervenção!”

Até hoje ninguém foi preso ou apontado pelos investigadores como suspeito pela execução. As apurações, segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Federal (PF), seguem em sigilo e com muita pressão popular por avanços, mas sem um ponto final.