Brasil: Antiproibicionistas denunciam política do narcotráfico

Duramente perseguidos, reprimidos e criminalizados pelas forças policiais e políticas de los Estados, os e as militantes da Marcha da Maconha no Brasil há alguns anos se transformaram em um movimento antiproibicionista e militam por uma nova política de drogas anticapitalista, antirracista e antipatriarcal. Em São Paulo os militantes pela legalização precisaram mobilizar-se juridicamente para conseguir alvará de justiça permitindo a realização das marchas que aconteceram no dia 06 de maio.

Mais de 100 mil pessoas foram às ruas de São Paulo e Em Recife ela aconteceu dia 20 de maio, dois dias depois de um dos maiores escândalos políticos do país, envolvendo um Senador já muito denunciado pelo movimento: Aécio Neves, cujo envolvimento com o narcotráfico foi comprovado desde novembro de 2013, nunca foi devidamente julgado. As gravações que vieram à tona no dia 18 expõem o Senador pedindo 2 milhões em propina. Rastreado pela Polícia Federal, o dinheiro foi localizado na conta da empresa de Gustavo Perella, dono do helicóptero apreendido em novembro de 2013 no Espírito Santo com 455kg de pasta base de cocaína.

A maior denúncia dos ativistas é de que o alto comando do tráfico brasileiro e internacional passa pelas mãos do mais alto comando político e empresarial do país, mas quem sofre as consequências do envolvimento com as drogas são as pessoas de cor negra, pobre e que vivem nas periferias dos grandes centros urbanos.

Hoje em dia precisamos ainda denunciar o caráter não apenas classista e racista das prisões por drogas, mas também fazer um recorte de gênero: há um aumento de quase 500% no encarceramento de mulheres, enquanto o crescimento de prisões de homens aumentou cerca de 180%. Colômbia, Brasil, Venezuela, México e Argentina são os países da América Latina com maior população carcerária feminina.

As feministas antiproibicionistas explicam que mais de 60% dessas presas estão privadas de liberdade por envolvimento com o tráfico, mas denunciam também que não são elas quem exercem o controle do tráfico. Segundo relatório Mulheres em prisão elaborado pela organização de Direitos Humanos Instituto Terra, Trabalho e Cidadania “De maneira geral, as mulheres presas hoje no Brasil faziam transporte ou comerciavam pequenas quantidades de drogas. Ou faziam consumo próprio. A maioria delas é mãe e está longe dos seus filhos e dos seus lares. É provedora do lar e possui dependentes”.

A coordenadora da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas, Ingrid Farias, explica que a guerra às drogas é um atentado criminoso do Estado, da classe empresarial e política contra a população negra e pobre. “A tática dos governos é usar os sistemas jurídico, penal, policial e prisional para exercer controle social prendendo e matando”, denuncia Ingrid.

Vídeo realizado sobre o I Encontro Nacional de Coletivos e Ativistas Antiproibicionistas em Recife

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